Prefácio

Alguns temas são especialmente polêmicos por aqui: transgênicos, veganismo, energia nuclear… e é sobre este último que, criando mais coragem do que talvez devesse, tentarei debater neste post. Pretendo levantar pontos importantes com ênfase nas falácias da energia nuclear. Segurança, lixo atômico, contaminação, o que é verdade e o que tratamos com irracional exagero.

Então, desde já, peço que qualquer comentário seja feito apenas após a leitura completa do texto e dos links (em especial das “leituras obrigatórias” indicadas mais abaixo), que seja racional e coerente. Somos, nem precisaria dizer, a favor da “energia limpa”, mas se você quer defender uma posição é fundamental conhecer todos os argumentos a favor e contra, mas conhecer a fundo, não apenas o que se ouviu rapidamente no programa-de-TV-da-tarde-de-ontem. Dito isto, vamos em frente.

 

As opções

A energia solar ainda é extremamente ineficiente, aproveitando apenas 20% da energia recebida. Existem estudos para melhorar este fator, mas não se sabe quando chegarão à grande escala. A energia eólica também aparece como ótimo modelo, e alcançou cerca de 3% da matriz mundial, mas igualmente exige maior investimento por Twh gerado, além de afetar o voo de pássaros e morcegos.

Usinas hidroelétricas, muitas vezes tidas como “limpas”, em verdade geram o alagamento de grandes áreas que, além de afetarem fauna e flora, provocam a emissão de grande quantidade de CO2 ao longo de anos por conta da decomposição do material orgânico existente na área alagada. A dependência do regime de chuvas é também um fator a se considerar – basta lembrar dos apagões e racionamento de 2001.

Acima de tudo, nem todo país tem o potencial solar, eólico e hídrico que temos nesta terra brasilis. É por um ou mais desses fatores, aliados à questão econômica, que a queima de carvão e gás responde pela maior parte da geração de energia elétrica do mundo. E, neste contexto, surge a energia nuclear, ocupando pouquíssimo espaço, emitindo apenas vapor de água e usando urânio (que fora a geração de energia tem quase nenhuma utilidade). Mas o uso militar dessa tecnologia criou uma mácula eterna…

 

Herança maldita

A energia nuclear foi criada e infelizmente demonstrada ao mundo da pior maneira possível, com bombas devastadoras caindo sobre Hiroshima e Nagasaki. Nas décadas seguintes o mundo aperfeiçoou o uso da tecnologia para fins pacíficos, em especial na medicina e na geração de energia elétrica.

Ao longo de tantos anos alguns acidentes ocorreram, do caso goiano de Césio 137 (que envolve o uso médico, e não energético) ao famigerado acidente da usina nuclear de Chernobyl. Isso até março de 2011…

 

Fukushima

Após um terremoto de magnitudes épicas seguido de enorme tsunami que tantos estragos e mortes provocaram no Japão, o sistema de refrigeração da usina de Fukushima falhou ao ter seus geradores de reserva inundados pelas águas e, sem eles, o sobreaquecimento vem provocando explosões e vazamentos.

Com este acidente, diga-se de passagem o único em muitos anos, temos de volta toda a discussão sobre a segurança e a escolha de matrizes energéticas “mais limpas”.

 

Repercussão

A cobertura de boa parte da imprensa não parece ajudar a entender o que efetivamente ocorreu, com repórteres preferindo perguntar aos especialistas se o Brasil está preparado para algo similar nas usinas de Angra (uma possibilidade ínfima num país sem terremotos ou tsunamis minimamente similares, que, além disso, utiliza sistemas mais avançados de segurança), do que, como já adiantei, apresentarem as diferenças entre os sistemas usados em Fukushima e os usados no Brasil ou na moderníssima usina em construção na China.

Usinas nucleares de Angra dos Reis

Em diversas partes do mundo governos paralisaram as operações de usinas nucleares ou interromperam a construção de novas unidades para revisarem seus processos. Toda  melhoria em segurança é bem vinda e é em momentos de crise que se apara as arestas. No Brasil, o Greenpeace realizou na última sexta-feira um ato pedindo o fim do uso de energia nuclear no país.

[UPDATE] Nesta quarta-feira (23) a Comissão de Minas e Energia realizará audiência pública para discutir os projetos de construção de usinas nucleares no Brasil e a situação das usinas que já estão em funcionamento (Angra 1 e Angra 2). (valeu pelo link @jorge_paulo_jr)

 

Leituras obrigatórias

Neste ponto precisamos entender mais a fundo o funcionamento das usinas nucleares, o que houve de fato no Japão, quão sério é o problema, se o mesmo pode se repetir pelo mundo e se há usinas à prova de desastres. Porém seria muita pretensão tentar apenas citar trechos dos excelentes artigos que tive contato nos últimos dias, por isso siga com as leituras de:

Sobre a Histeria Nuclear“, no blog Radiação de Fundo de Pedro Almeida (mestrando em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Quão sério é o problema de radiação no Japão“, no Gizmodo (site de tecnologia que frequentemente trata de assuntos globais e sustentabilidade) + Por que Fukushima não será outro Chernobyl.

E, enfim, “É possível construir uma usina nuclear à prova de desastres?“:

 

E onde chegamos

Concluir em qualquer direção pode ser um perigo enorme, mas acho que fica claro que a energia nuclear é uma opção extremamente razoável em especial aos países onde as opções mais “limpas” (solar, eólica, biomassa, marés, e, na minha opinião não tão limpa, hidroelétrica) tem pouca capacidade natural, ou seja, partiria-se para carvão natural e gás, isto, desde que trabalhem no mínimo em sistemas de segurança da geração 3(+).

É a substituição que fizeram muitos países e seria utópico pedir o desligamento das mais de 100 usinas nucleares ativas pois geram parte fundamental da energia usada pela população. Ou se luta pela melhoria das usinas em funcionamento, ou se dá um passo atrás voltando a queimar carvão e gás.

Certo é que, por outro lado, o foco tem se virado (e assim esperamos que continue) para a melhoria dos sistemas solares e eólicos que ao atingirem altos índices de eficiência substituirão com maestria toda a matriz atual, inclusive hidroelétrica, e nos levarão a um nível de poluição e resíduos mínimos sonhado por tantas gerações.

facebook-profile-picture
 é o criador do eco4planet, formado em Administração de Empresas pela USP, desenvolvedor e gamer. Otimista nato, calmo por natureza, acredita que informação pode mudar o mundo e que todo pequeno gesto vale a pena. Posta também no Twitter e Facebook.
Veja outros artigos por e escreva também para o eco4planet!
  • Matheus

    Excelente!

  • Matheus

    Então meu irmão, ao meu ver, a energia nuclear, para fins de geração de energia, é algo totalmente obsoleto, mesmo com as melhores ações de segurança, nunca saberemos o que pode acontecer, e se tratando de energia nuclear e radiotividade, é melhor que não aconteça. Como aconteceu em Chernobyl que não teve nada a ver com desastres naturais, mais sim falhas humanas, isso pode acontecer em qualquer usina em qualquer lugar do mundo. E também errado dizer que após Chernobyl, Japão 2011 ? E o acidente na usina nos EUA, e os acidentes nas usinas na frança, só porque não foram tão catástroficos, como o de Chernobyl, ou o que está acontecendo no Japão, não quer dizer, que causou serios danos ambientais, e a populações locais. E realmente a energia nunclear aparece uma otima alternativa, por enquanto que as renovaveis estão sendo aprimoradas, porém existem ainda varias outras formas de gerar energia, como por marés, usinas geotermicas, pequenas centrais hidroeletricas(se implantadas corretamente), e usando todas em junção, não analisando uma por uma, a matriz energetica de um país pode ser facilmente 100% limpa só basta investir. E esse papo de Angra ser segura é puro bla bla bla, pois ela já deu defeitos, e um reactor que ficou 45 anos parado esperando, não é algo que se pode confiar muito. A energia nunclear veio sim. Para destruir familias, destruir nossa mãe(não é a toa que ela escondeu o uranio tão bem) e destruir o sonho de um planeta mais puro e pacifico. A é bom também ficar sabendo, que uma central de geração de energia nuclear consome cerca de 35% da energia que ela mesmo produz, e outros 40% dessa energia é para alimentação de fabricas, restam apenas 25% para a população. Então é melhor investir em uma Eficiência energetica do que em energia nuclear. Paz e luz para todos nós irmãos e vamos lutar para cuidar de nossa mãe!

    • Chernobyl era uma usina de segunda geração, por isso o link sobre a possibilidade de usinas seguras, para demonstrar que usinas de terceira geração e posteriores, onde falhas humanas nunca provocariam o mesmo tipo de problema, existem. Angra deu defeitos, mas não vazamentos. Resta saber se é mais interessante construir novas Angras (já nos padrões atuais de segurança) ou a Hidroelétrica de Belo Monte.

      Isto tratando do Brasil, sinceramente não sei se hidroelétricas são uma opção para Japão e diversos países europeus, ou se eles consideram os ônus deste tipo de geração menores que os de usinas nucleares.

      Abraço!

    • Thiagones

      Você evita acidentes com padrões, normas e tecnologia…. Faz parte da evolução do nosso conhecimento como humanidade.

      O problema é que não sabemos tudo. Não dá pra prever tudo e acidentes vão fazer parte desse processo.

      Quanto a destruir familias e a natureza. Nunca precisamos do urânio para fazer isso.. Sempre fizemos com nossas próprias armas. Chernobil não matou quase ninguém se comparado a segunda guerra. Um simples conflito não nuclear na Líbia já matou 8 mil. Mais que os mortos da tragédia no Japão.

      • Muito bem colocado. Aliás o acidente com usina nuclear dos EUA não matou *ninguém*

  • Thiagones

    Ótimo texto! Gostaria de elaborar um comentário a altura, mas vou fazer o possível que o tempo escasso me proporciona.

    Já começo como ponto pacifico que as usinas nucleares são uma alternativa limpa e eficaz de geração de energia; O grande tópico e melhor sacada do texto foi exatamente lembrar da herança maldita.. Herança que também serve de ração a boa parte da imprensa mundial – sensacionalista demais e que não sabe aprofundar em assuntos importantes.

    Mas e os acidentes?
    Em nossa evolução do conhecimento alguns problemas vão ocorrer. É assim desde o principio.
    Ao mesmo tempo que admirar um avião pede um brinde a inteligência humana temos que estudar muito bem porque "as vezes" eles caem. Em cima do estudo, revisar processos, criar novos padrões e normas para que o pior não ocorra novamente.
    E ai vem a única dúvida em relação a qualquer tipo de empreendimento que trabalhe com riscos… *Quanto custa a segurança?*
    Esse é único problema real que vivemos hoje. Departamentos financeiros e interesses políticos tem mais peso e poder que os engenheiros.

    Dito isso, revisar os projetos de usinas nucleares pensando em menos cortes na área de segurança é extremamente valido. Recursos de backup de sistemas devem ser normas obrigatórias. Investir na tecnologia robótica, automatizando e gerindo remotamente uma crise é caro, mas deve ser levado em conta como lição do que está ocorrendo….

    Mas proibir qualquer tecnologia “perigosa” é negar nossa inteligência e capacidade de evoluir. Seria como abandonar os aviões… e voltar quem sabe.. a idade da pedra e proibido de construir a roda.

  • Ótimo texto Juaum!

    Tenho uma opinião muito forte (e nem todo mundo concorda e fico feliz em ver essa tendência por aqui) sobre a questão energética brasileira. Temos que diminuir o máximo que podemos a energia hidroelétrica, investir pesado em energia solar (inclusive pesquisas) e energia eólica. A energia hidroelétrica tem um impacto ambiental que não tem estudo que consiga calcular com precisão.

    Um país com sol o ano inteiro em várias regiões PRECISA se aproveitar dessa fonte limpa e inesgotável de energia.

    Sobre a questão nuclear…. Angra é uma experiência fraca feita no período militar mais para "testar" nossa capacidade de brincar com material radioativo no caso de uma guerra do que de fato para gerar energia. Mas acho que podemos e devemos ter nossas usinas, já que com o cresimento atual do Brasil está claro que nossas matrizes em uso não estão dando conta do recado.

    • Valeu pelo apoio e realmente, a máxima de que hidroelétrica é uma solução limpa já caiu, mas parece que ninguém quer olhar para isso…

  • olá

    fico grato pela referência. afinal, temos q requerer e procurar evidências que suportem ou nao o uso de uma tecnologia X, e nao ficar assumindo uma posiçao histérica com relacao a tudo q nao conhecemos.

  • Matheus

    Olá irmãos, após ler os pontos de vistas, ainda continuo com o meu, de que a energia nuclear para geração de energia e militares(lógico) é algo a ser banido.
    Eu acho engraçado como as pessoas aplicam a palavra progresso, evolução. Para mim o progresso, e a evolução, é nos transformar de seres sintéticos, artificiais e se transforma em seres naturais, do qual vivemos da terra, com a terra, e como irmãos. Esse progresso, e essa evolução tem custado muita dor e sofrimento, aos todo tipo de vida deste Ser maior que é a terra.
    Também acho engraçado, a forma que vocês mencionam um possivel acidente radioativo, pois eu lhe digo, que se vocês estivessem no lugar das pessoas, que sofreram e morreram em Chernobyl e as que já morreram e irão morrer no Japão e ao redor do mundo porcausa da radioatividade liberada pelas usinas, e os desastres ambientais que estes causaram vocês mudariam logo de ideia.
    A Mãe pos os elementos radiotivos na atmosfera em equilibrio, e não deve caber a nós desequilibrar e sim respeitar.
    Tambem gostaria que vocês defensores dessa energia como alternativa, pensem melhor, ao ver o quanto perigoso é um aumento de niveis radioativos em um lugar. Gostaria de convidar vocês, a visitar caitité aqui na bahia, e aproveitar e beber um pouquinho lá da água, que foi contaminada pela radiação provinda da extração do urânio para alimentar essas belas usinas de angra.
    É muito bonito falar, mais acidentes acontecem, só não é bonito quando envolve seus familiares, ou vocês né. E nossa comparar um acidente de avião com um acidente radiotivo, só para que fique claro uma liberação de radiotivadade no ar, não se sabe nem quanto tempo permanecerá no ar, mais se sabe que tem uma meia vida que é no minimo 60 anos para rejeitos de baixa radioatividade, os de alta se deduz que a meia vida deles é de 24 mil anos, para voltar a niveis "aceitavéis".
    Ah e sim vamos falar de dinheiro, porque é o que mais importa ¬¬, vamos lá, quanto custa a construção de uma central nuclear? Hmm da ultima vez que vi a construção de Angra 3 já tava lá para uns 6 bilhões, e mais a manutenção? e o ciclo do urânio, e depois o descomissionamento da usina(sendo que nunca foi realizado um, apesar de obrigatório ao fim da vida útil da usina) tudo isso gera milhões e milhões de toneladas de carbono, o ciclo do urânio, que sai daqui da bahia, passando por 40 municipios, cidades e vilarejos, em 14 caminhões carregados com 200 toneladas de yellowcake(concentrado de urânio), sem segurança alguma, os caminhoneiros mal sabem o que estão transportando( falo isso porque estive ao lado deles quando passaram e conversei com eles), e então o yellowcake sai do porto de salvador, e vai para o canadá de navio, para produzir o gás UF6, e após isso vai para holanda para enriquecer, e então volta para o Brasil em resende(Rj) para a fabricação das pastilhas de combustiveis usadas nas usinas de angra.( Olha quanta emissão tem em todo esse processo e quanto perigo).
    Então meus irmãos acredito que a energia nuclear é uma fraude, de todas a maneiras possiveis e acredito sim, em investimentos em energias renovaveis limpas e seguras, que tenho certeza que sustenta muito mais facilmente e a curto e longo prazo a demanda energetica mundial.
    Realmente centrais hidroeletricas são muito mais prejudiciais, por isso falei em pequenas centrais, pequenas centrais hidroeletricas, são aquelas que não desviam rios, não alagam vilarejos nem areas florestais, mais aproveitam a propria força da agua para mover as turbinas e gerar energia(mais que mesmo assim ainda cria danos ambientais, como na reprodução dos peixes, e na sua construção claro)….

  • Matheus

    …E aqui vou deixar umas umas informações bem interessantes!

    Windscale(1957) Mas um acidente fruto da negligência com a segurança, dessa vez no Reino Unido. Durante a corrida armamentista nuclear, após a Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra resolveu construir uma bomba atômica o mais rápido possível, na cidade de Windscale.
    O incidente ocorreu no dia 10 de outubro de 1957, com um incêndio no núcleo do reator britânico, que levou ao vazamento de material radioativo para a atmosfera das regiões vizinhas. Temendo manchar a imagem do seu programa nuclear, o governo inglês tentou esconder o acidente, que teria causado mais de duas centenas de casos de câncer entre as comunidades vizinhas ao incêndio.

    Kyshtym, (1957) No dia 29 de setembro, uma falha no sistema de refrigeração do compartimento de armazenamento de resíduos nucleares causou uma explosão em um tanque com 80 toneladas de material radioativo. As partículas liberadas contaminaram a região de Mayak e cidades próximas num raio de 800km. Como a cidade de Ozyorsk, sede da tragédia, não integrava oficialmente o mapa soviético, o acidente nuclear ficou conhecido como "O Desastre de Kyshtym", em referência à cidade vizinha.
    Na ocasião, o governo russo forçou a evacuação de 10 mil pessoas das áreas afetadas, privando-as de explicações. Só uma semana depois, com o surgimento dos primeiros efeitos físicos e anomalias, é que a população foi oficialmente informada sobre o acidente nuclear. Estima-se que pelo menos 200 pessoas morreram de câncer em decorrência da exposição à radiação.

    Bohunice (1977) Classificado como de grau 4, o acidente na usina de Bohunice, na Tchecoslováquia, então parte da União Soviética, ocorreu no dia 22 de fevereiro de 1977. Após uma mudança de combustível nuclear, alguns absorventes de umidade que cobrem as barras de combustível não foram removidos corretamente.
    Com isso, a ação do gás refrigerante que atua na manutenção da temperatura do reator foi afetada e o combustível sofreu um superaquecimento, que levou à corrosão do reator. Gases radioativos se espalharam por toda a área da usina. Segundo a Aiea, não existem estimativas adequadas sobre feridos ou mortos porque, na ocasião, o acidente teria sido encoberto pelo governo.

    Tree Mile Island (1979) O incidente foi apontado como nivel 5* na Escala Internacional de Eventos Nucleares.(Não ouve mortes realmente)
    *o maximo é 7

    Chernobyl (1986) No dia 26 de abril, uma série de explosões liberou na atmosfera um volume de partículas radiotivas 400 vezes maior que o liberado pela bomba atômica de Hiroshima, no Japão, após a Segunda Guerra Mundial. Cerca de 200.000 km² de terra foram contaminados. Um relatório da ONU, lançado em 2005, estimou em 4 mil o número de pessoas mortas "provavelmente de câncer" na Bielo-Rússia, Ucrânia e Rússia.
    Mas estudos recentes multiplicam por 10 os registros de óbitos e apontam centenas de anomalias relacionadas à tragédia nuclear. Pripyat, que foi construída para servir de moradia para trabalhadores da usina de Chernobyl, agora não passa de uma cidade fantasma. (Nota) O acidente no reator de Chernobyl contaminou radioativamente uma área de aproximadamente 150.000 km² (corresponde mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro), sendo que 4.300 km² possuem acesso interditado indefinidamente. Até 180 quilômetros distantes do reator situam-se áreas com uma contaminação de mais de 1,5 milhões de Becquerel por km², o que as deixa inabitáveis por milhares de anos.

    Tokaimura (1999) Em 30 de setembro de 1999, funcionários de uma fábrica de reprocessamento de urânio usaram quantidades excessivas do elemento metálico radioativo em um reator desativado há mais de um ano. Mais de 600 pessoas foram expostas à radiação alta liberada após uma reação nuclear descontrolada no reator.

    São apenas alguns dos casos. Também houve ano retrasado, 2 vazamentos de material radiotivo no principal rio da França….

  • Matheus

    …E por ultimo e não menos importante( na verdade é muito importante) a questão do lixo.
    A geração de rejeito radioativo de usinas nucleares é normalmente baixa, mas representa um problema pois os elementos contidos no combustível queimado, pricipalmente os produtos de fissão, demoram um tempo muito longo para decairem em outros elementos e apresentam alta radioatividade, portanto é necessário que eles fiquem confinados em um depósito próprio onde não possa haver nem interferência humana externa nem interferência ambiental (já que a inteferência ambiental pode causar vazamentos e deslocamento dos elementos).
    Considera-se que apenas uma quantidade de 1 quilograma de Plutônio-239 seria, do ponto de vista matemático, suficiente para provocar a extinção da população humana a longo prazo. Em um ano, um reator nuclear de 1200 MW (como p. ex. o de Angra 2) produz 265 kg desse material.
    Uma partícula, menor do que uma particula de areia, de plutônio é o suficiente para um cancer de pulmão.

    E com esse plutônio todo da para fazer bombas atômicas a vontade, pois apenas 1kg dele já é suficiente para produzir uma bomba atômica 400 vezes mais forte do que a de hiroshima. E em mão "erradas" vai ser uma maravilha ser um refém do medo.

    Vamos lutar meus irmãos por um planeta lindo verde, pacifico, onde podemos viver em comunhão entre nós e a nossa mãe!

    Paz, e luz a todos!

    • Excelentes comentários, Matheus!
      Concordo com tudo o que você disse; palavras de sensatez e sensibilidade.

      É trágico e quase cômico quando algumas pessoas chamam a energia nuclear de "limpa", demonstrando perigosa ignorância a respeito do assunto. Isso é um mito, espalhado pelos defensores das usinas, principalmente os que lucram com elas.

      O processo de geração de energia nuclear produz resíduos radioativos em todas as etapas, desde a extração do minério, passando pelo tempo de vida da usina, e duradouro mesmo após a desativação da usina – a área fica indeterminadamente isolada.
      Isso sem contar os inúmeros riscos de vazamento, explosão, etc, provenientes de falhas humanas ou de imprevisibilidades geoclimáticas (desabamentos, inundações, tremores, tempestades, tsunamis, etc).

      • Os resíduos atômicos devem ser isolados de forma adequada, não existe tanto segredo nesta etapa. E os riscos, como foi muito bem explicado, se tornam praticamente nulos em usinas modernas (geração 3/3+).

  • SalomãoSS

    FINALMENTE! Achei que ninguém escreveria um artigo sobre o tema sem se contaminar pelo alarmismo que tomou conta da imprensa após o acidente no Japão! Por outro lado, Lourenço, você conduziu o assunto de forma extremamente lúcida, expôs as referências que usou e ainda conseguiu expor sua opinião abetamente sem no entanto ignorar "o outro lado", fechar a discussão ou soar panfletário. PARABÉNS!
    ==
    Agora, sobre as hidrelétricas, creio que valem os mesmos cuidados que para as usinas nucleares. Muitos dos problemas da geração hídrica devem-se a falta de planejamento e não ao sistema/modalidade de geração em sí. Tal modalidade possui ainda a vantagem estratégica de permitir ESTOCAR a água para ser usada no momento mais oportuno, coisa praticamente inviável nos sistemas solar e eólico. Poderíamos inclusive obter maior eficiência das usinas já existentes, mas isto não chega às vias de fato porque provavelmente não geraria dinheiro para as construtoras qe se beneficiam de obras faraônicas, aí inventam esses elefantes do tamanho de Belo Monte. Exemplo: quanto à geração de metano a partir das áreas inundadas, poderia ser bem menor se a maioria orgânica fosse retirada ANTES do completo alagamento. E ainda renderia um bom dinheiro…
    ==
    Percebam que, se houver no Brasil qualquer programa energético que contenha os mesmos vícios atualmente associados à energia hidrélica, teremos sérios problemas independente da matriz utilizada. Todos os problemas citados são contornáveis, tantos os relacionados às hidrelétricas quanto às usinas nucleares. Custa dinheiro (e tempo de pesquisa em alguns casos) mas é custo que deve ser visto como investimento, não como simples despesa.
    ==
    Para finalizar, bato na mesma tecla: precisamos de um sistema de geração de energia que além de "limpo" conte com fontes diversificadas e complementares. Há espaço para o urânio, para o sol, o vento e para co-geração (guardem esta palavra) mas, no caso do Brasil, nenhuma dessas opções faz sentido de forma isolada.

  • sara

    adorei

  • Guilherme

    A questão não é escolher Belo Monte ou Angra 3, os dois são péssimos para nós todos e principalmente para a natureza, não há dúvidas ou o que se discutir sobre isso. Os órgãos responsáveis do governo falam que cada usina (nuclear ou hidroelétrica) é necessária para a matriz energética pois cada vez se precisa mais de energia no país. Mas a questão real é apenas o crescimento populacional, se tivessem projetos que não incentivassem a população a virar ratos procriadores como o bolsa família e outros benefícios para quem produz mais gente (e consequentemente mais consumo de energia, alimento, lixo, etc). Além disso só poupamos energia (o que não é nenhum sacrifício, apenas o certo) quando se corre o risco de apagão. Quantas casas e prédios ainda são construídos de forma a se precisar de luz durante o dia e de ar condicionado no verão.

  • Guilherme

    Fora isso, olhem os gastos para Angra 3 e Belo Monte. Diz-se que a energia solar mais eficiente ainda não está disponível para nós, mas também que incentivos são dados a essa fonte de energia? Cadê o apoio às pesquisas e ao comércio deste tipo de energia? Quanto à eólica, atrapalha o vôo de morcegos e aves, mas me pergunto, quais morcegos e aves existem em fazendas e pastos imensos que existem hoje no lugar da floreta natural devastada que havia antes? Que incentivos há para a geração eólica? Muito muito pouco em relação a Angra 3 e Belo Monte.

  • Guilherme

    Quanto ao fato de se ter possíveis acidentes naturais na região das usinas de Angra realmente são raros, mas possíveis frente às alterações climáticas globais. Um tsunami na região pode ser possível sim, fora um grande deslize na área. Mas voltando ao que é fato e real, nas proximidades marinhas da usina não há quase mais vida marinha, a água beira os 40 graus centígrados, matando maior parte da biodiversidade e a água tem sim um pouco de radioatividade, isso ninguém comenta, o que é prejudicial ao ambiente marinho e a nós mesmos. Quanto a Chernobyl, matou pouco? Será mesmo? Até hoje ainda se tem níveis de radiação acumulados em algas nos mares próximos à Grécia (isso mesmo Grécia, longe de Chernobyl) provenientes do acidente de Chernobyl. E das algas essa radiação vai para quem? Para o resto da cadeia alimentar, incluindo nós mesmos…

  • Guilherme

    Bom, por enquanto é isso, mas tenho diversos outros contras em relação às duas usinas, mas uma pena que quase ninguém mais vai ler. Afinal os vídeos de baixaria recebem milhões de visitas e os vídeos informativos ambientais recebem dezenas apenas, infelizmente é assim que é. Vai rolar Angra 3, Belo Monte e o novo código anti-florestal porque ninguém não tá nem aí, o brasileiro só quer saber de bolsa mamata e a natureza que se dane, vamos fazer festa e procriar…

  • taís

    Um dos grandes “empurrões” para a criação das usnias nucleares foi Albert Einsten que criou a teoria de que, toda matéria poderia ser transformada em um número bem maior de energia. Einsten Não especificou o Urânio, mas o EUA precisava de uma bomba e não de um gerador de energia, e foi ai que se deu o uso de Urânio, perfeito para ser uma bomba. Criou sua usina nuclear e três anos depois compriu seu objetivo: lançou a bomba nuclear em Hiroshima. Ou seja, as usinas não foram criadas para o bem, se o homem investisse em pesuisas de fontes realmente limpas de energia, ele conseguiria com toda certeza. Pode-se extrair energia até mesmo do lixo, e olha ai que grande solução para um mundo com o acumulo exagerado de lixo que demora centenas de anos para se decompor. e porque não investem?
    Dizem que a energia eólica tem o custo inicial caro. Mas nós pagamos os impostos mais altos do mundo e quando se fala em segurança e saúde, não se conta dinheiro. Irônia é em um país tropical existirem três usinas que representam apenas 1,4% da energia total do país.
    Esse dinheiro poderia ser melhor investido em energias renováveis e na biomassa. Mas ningúem questiona, as pessoas mal têm opnião sobre as usinas nucleares, elas sabem o nome do jogador de futebol mais bonito, da atriz mais rica, mas quando se pergunta se elas sabem o que foi o desastre de chernobyl não se houve resposta. Digo isto porque fiz uma pesquisa escolar com esse tema no bairro onde moro e o resultado foi lamentável. Como um povo irá ter opinião sobre algo do qual não possui conhecimento? Cadê a mídia nessas horas? Ah claro, a mídia estava ocupada em divulgar fatos fúteis na televisão, enquanto se iniciavam protestos na Alemanha contra as usinas e tudo foi encoberto.
    Energia limpa? só se ela não lansasse toneladas de lixo darioativo em baixo da terra e no espaço. Barata? me diz ai quanto custa as mais de 140 mil vítimas de Chernobyl? diz ai quanto custa para recuperar o solo de iroshima que nunca mais voltou a ser o mesmo ? Me diz quando custa a vida de uma criança que tem deformaççoes no corpo ,e é ignorado pela sociedade? Chernobyl não esperava por uma tragédia, nós também não esperamos, mas assim como eles estamos sujeitos. Sem contar que o gatos de uma usina para a construção manutenção e adicionais, será que sai mesmo tão barato ?
    Cade país tem de desenvolver energia a partir de suas cabíveis condições, quando se fala em energia renovável, as pessoas se limitam muito à solar e eólica, gente exite a geotérmica, a biomassa. Onde há movimentação de moléculas pode-se extrair energia.Não venha com desculpas, A Irlanda poderia muito bem ter centenas de usinas e se justificar por não ter um clima favorável , mas não, ela aproveitou sua energia geotérmica.
    De um lado a minoria, os pobres, os ambientalistas, as vítimas. Do outro o governo ganhando muito dinheiro e manipulando as pessoas, no meio os ignorantes sem argumentos. Nada na vida é neutro, as coisa são boas ou más, existem coisas porém que são boas e más, neste caso temos que ver o que vale mais a pena. Reflita !

  • Marcelo

    Nós já sabemos que usina nuclear gera muita energia. O problema é não saber o que fazer caso uma catástrofe natural aconteça como aconteceu no Japão. Com toda a tecnologia japonesa disponível, mesmo assim, todos os japoneses ficaram com sua saúde e seu ecossistema contaminado, correndo todos um sério risco de vida IRREVERSIVEL. Sugiro que quem apoie este tipo de energia guarde em sua casa alguns barrils de lixo tóxico, pois mesmo quem "gosta" de energia nuclear (mesmo sem saber a verdade) não sabe para onde vão ester resíduos. Muitos toneis radioativos acabam aparecendo em locais de alto risco de contamionação, como lixões, fundo de oceanos, buracos na terra, etc… O que fazer para freiar este tipo de catástrofes? NÃO APOIE ESTA PALHAÇADA. Assim como já foi provado por especialistas de verdade e não por agencias de pesquisa pagas por grandes empresas para que provem o contrário, existem muitas formas de energia que podemos implantar na nossa sociedade que geraria energia limpa. MAs Esse não é o interesse de grandes empresas. As grandes empresas é dinheiro, logo eles investirão milhões em usinas atômicas e nada em tecnologias limpas, fontes de energia sustentáveis. Falta menos prostituição nesse bio-mercado, pois as pessoas estudam hoje em dia, para prostituir seu diploma para quem paga mais. Logo nenhuma pesquisa feita apresenta seus resultados completos sobre riscos e danos de uma usina nuclear ou sobre uma inundação na mata atlântica para gerar energia ou recursos hidricos, a parte negativa das pesquisas os pesquisadores queimam para que ninguém saiba, e assim possam receber sua gorjeta das multinacionais que estão criando a escravidão moderna. Você acha que é livre mas é escravo em pelo menos 4 meses do ano, quando trabalha para pagar os impostos que em seguida serão roubados e desviados pelos não mais interessantes governadores deste país. Que pena que a mídia ainda continua disperdiçando seu potencial modificador da realidade e utilize esse poder para alimentar ainda mais um sistema falido e frustrado. Vamos falar de coisas positivas e de preferência com base e conhecimento de verdade.

  • Marcelo

    Palhaçada, agora os administradores tem que autorizar um comentário? quem são eles perante o mundo que quer ler o que escrevemos???
    ninguém!

    • Marcelo, praticamente todos os sites adotam a moderação de comentários como medida de proteção a spam, ofensas e calúnicas. Além disso, proprietários de sites podem vir a ser responsabilizados no Brasil pelo teor dos comentários, mesmo sendo óbvio que isso não faz sentido. Por outro lado, note que usuários registrados no IntenseDebate (sistema de comentário que usamos e é também utilizados por milhares de sites pelo mundo) não passam por aprovação prévia.

  • Aline Tiagor

    Adorei todo o debate! Acredito que é extremamente importante que de um lado ou de outro, mas tenhamos nossa opinião!! Melhor do que ficar parado, postando piadinhas e conversando sobre a vida alheia. Afinal, temos acesso a informação e a maioria da informação que chega até nós é MENTIRA, pura manipulação para fazer a opinião publica apoiar decisões catastroficas que trazem nossa insustentabilidade socioambiental mas enchem o bolso de quem esta envolvido…Adorei os comentarios do tipo "não temos que escolher entre Angra 3 e Belo Monte", "entre Chernobyl e Japão houveram vaaaaaarios acidentes", "toda a emissão envolvida no processo não é contabilizada" "evoluçao e progresso não é viver cada vez mais sintetizado, artificial e sim em harmonia e equilibrio com a natureza" entre outros…isso sim são os comentários, detalhes, que desmentem toda a lista de aspectos positivos das decisões que achamos que podemos tomar e assumir os riscos. Quando vc aponta um risco em que eu, vc, nossos irmãos e a natureza podem sofrer de forma inimaginavel…me desculpe, mas…prefiro não assumi-lo!!!! Ainda mais se temos alternativas! E só para completar….vcs jah foram a Angra?? Os morros estão todos deslizando EM CIMA DAS USINAS! As estradas estão em constante reforma, pq a cada chuva forte sao mais deslizamentos….e alguem vem falar em segurança, que o Brasil tem mais tecnologia que o Japão e que o risco é minimo? Basta dar uma passadinah pela Rio-Santos e ver com seus proprios olhos se alguma coisa ali é segura ou vai conter os morros de destruir as usinas! bom, eh isso…espero que nossas energias estejam voltadas à real pesquisa e otimização do funcionamento das alternativas realmente de minimo impacto! Paz, amor e luz 🙂

  • Pingback: Imagens nunca antes vistas revelam como Fukushima está sendo engolida pela Natureza | eco4planet()

  • Pingback: Imagens nunca antes vistas revelam como Fukushima está sendo engolida pela Natureza | Mundo Sustentável()

    eco4planet para você para empresas
 
Quem somos
Na mídia
FAQ
Contato
Home page
Busca padrão
Como divulgar
Anuncie (mediakit)
Embedded
 
 
©2008-2017 eco4planet | Privacidade
©2008-2017 eco4planet | Privacidade