Empreendimentos na Amazônia ameaçam índios

Empreendimentos na Amazônia ameaçam índios

A instalação de novos empreendimentos na Amazônia gerou consequências trágicas e irreversíveis para os povos indígenas da região.

É o que revela publicação inédita da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação dos mais de 370 milhões de índios no mundo, divulgada ontem no Rio de Janeiro e em várias capitais.

Embora o relatório não cite a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, em Porto Velho, alerta que há relatos de índios isolados vivendo na região, que estão sendo dizimados por doenças tratáveis como malária, pneumonia e varíola.

O documento ataca o avanço desordenado de “infraestruturas da globalização” e lembra que a instalação de grandes usinas, como a Hidrelétrica de Tucuruí, na década de 1980, gerou “um aumento dramático” dos casos de malária. No período, também foi registrado crescimento da incidência de doenças como oncocercose (cegueira dos rios) e esquistossomose.

Na Amazônia peruana, o relatório cita os impactos com a exploração de petróleo e gás (Projeto Camisea) desenvolvido pela Shell Oil, também na década de 1980. O contato de trabalhadores da empresa com a população local trouxe tosse, varíola e gripe, matando 50% da comunidade tradicional.

Além das enfermidades trazidas com as alterações no meio ambiente, como os grandes alagamentos para a instalação da usinas, novos empreendimentos na Amazônia também obrigam o reassentamento de famílias, que deixam para trás, além do território, tradições e relações seculares com o lugar e formas de subsistência.

“Grupos indígenas dispersados anteriormente foram forçados a viver em assentamentos, onde eram expostos a novas doenças, como infecções intestinais e gripes”, afirma o relatório, que aponta também a carência de assistência médica adequada e a falta de vacinação regular.

Durante a divulgação do relatório, o líder Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena (ITC), disse que, para minimizar os problemas provocados por esses empreendimentos, os índios querem ser consultados sobre os impactos das instalações em suas terras, como determina a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

“A ONU trabalha para que os bancos de financiamento e organismos multilaterais como o Banco Mundial [Bird] e o Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID] sejam obrigados a estabelecer mecanismos de consulta e diálogo com os povos indígenas para levar em conta a opinião deles. Isso vai ajudar na garantia dos direitos humanos”, concluiu Terena.

*Via Info.

11 respostas para “Empreendimentos na Amazônia ameaçam índios”

  1. O índio na amazonia só quer saber de explorar os minérios que existem lá!
    não caiam nessa de que índio vive do mato e é bonzinho não, isso já foi!
    oferece uma área sem nenhum minério pra ver se ele vai querer morar, para quem tem dúvidas disso que estou falando, converse com algum militar, sargento ou mesmo um soldado que já esteve na amazonia!

    • Se você estiver falando do comentário do Eduardo, eu acho que ele quis dar o entender que é hora de todos enxergarem os índios como gente.. e não como selvagens…
      Entendeu?

      • bom, pode ser, mas poderia ter elaborado melhor, dá a entender que indio nao é gente, em vez de colocar a questao do indio nao ser tratado como gente

  2. Desculpe-me se me expressei mal. Eu quis dizer exatamente isso que o Felipe colocou.
    Aquele índio dos livros de História já não existe mais. Acreditarmos que eles não podem viver como o homem civilizado é ridículo. “Ah, vão perder a cultura”.
    Minha mãe é historiadora e adora a História do Brasil. Um dia ela chegou em casa com um livro sobre aldeias remanescentes no estado do Espírito Santo. Sério, eu perguntei a ela se nas fotos eram índios ou afrodescendentes (índio com cabelo crespo e pele bem escura, nunca vi).
    Já ouviram falar do município de Aracruz aqui no ES? Tem reserva indígena próximo. Você vê índio dirigindo Hilux, haha!

  3. Detalhe que nas fotos do livro tinham homens com bermuda, mas para tirar a foto colocaram aquelas saias de palha e se pintaram. Você sabe como é a farsa…
    “Bo, bo, bo! Vamos nos pintar para a guerra ou para fazer a dança da chuva”. Que eu saiba só se pintavam para coisas do tipo.

  4. Eduardo, não generalize tanto.
    Visitei recentemente a TI do Xingu e muitas das etnias de lá
    vivem de modo tradicional (caçam, pescam e plantam), alguns usam
    sim roupas, mas nem todos.
    O que interessa é que grandes hidrelétricas como a de Belo Monte vão prejudicar
    índios e não-índios e a maior parte da energia gerada por elas acaba abastecendo
    prioritariamente as indústrias que existem ao redor.

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