Banco utiliza reciclagem como moeda de troca

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Por mais que se fale da importância de se preservar o planeta, uma coisa é certa: boa parte das pessoas só muda seus hábitos se forem obrigadas ou se receberem algum benefício por isso. Pelo menos é o que pensam os membro do RecycleBank. Eles criaram uma espécie de banco em que o usuário ganha pontos ao reciclar seu lixo e os troca por gratificações que vão desde pequenas mercadorias em lojas da região, até viagens.

A ideia surgiu quando dois amigos de escola chegaram à conclusão de que a única forma de mobilizar as pessoas a tomarem ações positivas para o planeta seria recompensando elas por isso. Assim eles criaram o banco que já conta com mais de um milhão de associados nos Estados Unidos e no Reino Unido – e que não pára de crescer.

Funciona da seguinte maneira: a pessoa se cadastra gratuitamente no site do RecycleBank e começa a reciclar. Toda semana, o volume total de materiais recicláveis entregues a uma cooperativa escolhida pelo usuário e cadastrada pelo programa é pesado e o peso é convertido em pontos. Depois de juntar a quantidade de pontos desejada, o usuário pode trocá-los por qualquer item disponibilizado por uma das mais de 1.500 empresas parceiras.

Adotar outras medidas sustentáveis, como utilizar uma fonte de energia renovável, reciclar lixo eletrônico ou fazer parte do eBay Green Team também contam pontos. E caso o usuário não queria utiliza sua cota com brindes, ele tem a opção de doá-la para outras pessoas ou para programas como o Green Schools, que desenvolve atividades sustentáveis com jovens entre 6 e 18 anos.

Segundo dados do banco, além de estimular o comercio local e o trabalho de milhares de catadores, a iniciativa já ajudou a poupar mais de 4,4 milhões de árvores e mais de 295 milhões de galões de combustível (sendo que um galão corresponde a aproximadamente 3,8 litros).

Causa nobre ou interesse próprio?

Apesar dos resultados positivos, a mobilização de tantas pessoas virou motivo de questionamento para um dos membros do eBay Green Team, Ashwin Seshagiri. Em um artigo publicado no site Planet Green, ele indagou a necessidade de uma recompensa como premissa para que as pessoas começassem a agir.

“Isso nos leva a questionar se as pessoas estão reciclando porque querem ajudar o meio ambiente (e elas só precisariam de um empurrãozinho), ou se seus motivos são simplesmente para receber recompensas em mercearias, lojas de música, ou até mesmo nos principais sites de comércio eletrônico. Mas, no final das contas, isso importa?”, questiona.

E ele vai além ao relembrar um estudo publicado pelo ABI Research em 2009 que mostrou que apenas 38% das pessoas reciclam os celulares velhos, mas 98% das pessoas estariam dispostas a fazê-lo caso eles tivessem um pequeno empurrão financeiro, crédito da loja, ou benefícios fiscais.

Por fim, ele deixa uma pergunta aos leitores: “Para vocês, qual é a melhor maneira de incentivar as pessoas a fazerem boas ações, como reciclar ou reutilizar?” E você, conseguiria responder?

*Via EcoDesenvolvimento.

17 respostas para “Banco utiliza reciclagem como moeda de troca”

  1. Pessoal, cuidado com coisas que podem parecer boas à primeira vista, mas que na verdade, quando as analisamos mais criteriosamente, percebemos que não são. Vejam por que digo isto:

    1º) Os produtos (ou mesmo viagens) pelos quais podem ser trocados através de pontos, são FEITOS DE MATÉRIA-PRIMA (leia-se recursos naturais). Então, na verdade teremos mais recursos naturais sendo utilizados, mais mineração, mais árvores e florestas sendo derrubadas para fabricarem os novos produtos adquiridos, além dos gases tóxicos liberados na atmosfera durante o transporte tanto da matéria-prima utilizada na fabricação dos referidos produtos, quanto no transporte do produto final até as lojas, etc. No caso das viagens (que, conforme a matéria, também podem ser trocadas pelos pontos acumulados) , mais gás carbônico (e outros afins) que aceleram o efeito estufa no planeta e, conseqüentemente, o aquecimento global.

    2º) O primeiro, E MAIS IMPORTANTE, “R” é o da REDUÇÃO DO CONSUMO. Pois só assim diminuiremos tanto a depleição da natureza retirando-lhe menos recursos para fazermos novos produtos, como, também, produzindo menos produtos. E utilizando menos produtos, geraremos menos resíduos, ou seja, menos lixo no planeta. Lembrando que a idéia de “jogar fora” é uma ILUSÃO! Nós todos estamos dentro de um espaço denominado planeta Terra, que é nossa casa, e jogamos DENTRO desta CASA nossos “restos”.

    3º) Reciclagem requer MÁQUINAS próprias (que são feitas de recursos naturais, ou seja, matéria-prima, além de terem embutidas em seu processo de produção os gases tóxicos dos transportes de matéria-prima e também do produto final, que serão liberados na atmosfera), além do próprio transporte do material reciclado, ou seja, MAIS LIBERAÇÃO DE GASES TÓXICOS na atmosfera.

    4º) Bancos são instituições financeiras. São cheios de idéias brilhantes que são capazes de seduzir e iludir (ludibriar, passar para trás), muitas vezes, até a mais esperta e ecológica das pessoas. Afinal, sua função é simplesmente o mantenimento do sistema econômico no mundo, e nosso sistema econômico (capitalismo – para não dizer CAPETAlismo) baseia-se pura e simplesmente na ACUMULAÇÃO DE CAPITAL, e acumulação de capital É INCOMPATÍVEL COM SUSTENTABILIDADE. É SÓ UMA FALÁCIA DIZER QUE AS 2 COISAS SÃO POSSÍVEIS SIMULTANEAMENTE.

    Pensem nisto…

  2. Eu concordo com o Paulo Lütkenhaus, temos que ser mais críticos quando a questão é preocupação com o meio ambiente, os bancos, muitas empresas e os “grandes donos do capital” visam apenas mais benefícios com tais ações ou incentivos. É muito bom reciclar, reutilizar e reduzir, porém não resolverá o problema mundial, o que resolverá é a CONSCIENTIZAÇÃO da população por meio do diálogo problematizador para que acabemos com o CONSUMISMO (motor do capitalismo). Sugiro que assistam “A história das coisas”, tem na internet.

    • Kéllen, é bom lembrar que “Conscientização” é uma bela palavra mas infelizmente a mais difícil de se tornar real. Nós temos trabalhado para isso com o eco4planet, em especial através deste blog, mas temos, e nesse caso refiro a nós como “comunidade em geral”, que apoiar toda sorte de iniciativas que tragam algum benefício ao meio ambiente, tenha ela sido criada exclusivamente com essa intenção ou como um complemento ao ganho financeiro. Oras, antes isso do que apenas ações que visem o ganho financeiro sem nenhuma preocupação com a Natureza (o que representa “99,9%” de todas as atitudes realizadas no mundo).

      Abraços!

    • Excelente vídeo sugerido, Kellen!!! O Vídeo deve ser assistido pelo máximo de pessoas possíveis. O LINK PARA O VÍDEO É: http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E

      Com relação ao comentário de Juan Lourenço, do próprio blog ECO4PLANET: “temos, e nesse caso refiro a nós como “comunidade em geral”, que apoiar toda sorte de iniciativas que tragam algum benefício ao meio ambiente, tenha ela sido criada exclusivamente com essa intenção ou como um complemento ao ganho financeiro. Oras, antes isso do que apenas ações que visem o ganho financeiro sem nenhuma preocupação com a Natureza”, DISCORDO VEEMENTEMENTE. Essa história de FAZER PELO MENOS UM POUCO PELA NATUREZA NÃO FUNCIONA COM O MEIO NATURAL!!!

      Simples, basta se ter um pouco de consciência da SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA da Física, assim como a DISCREPÂNCIA existente entre as VELOCIDADES DOS PROCESSOS BIOFÍSICOS E BIOQUÍMICOS TERRESTRES e a VELOCIDADE CULTURAL / ANTROPOCÊNTRICA sobre os recursos naturais terrestres.

      DIGAMOS NÃO ÀS FALÁCIAS!!!

  3. Li tudo e estou pensando no que o Paulo Lütkenhaus disse.
    Meu Deus, a gente passa tanto tempo quebrando cabeça e achando que sabe ou não sabe a resposta, até que vem alguém e vê além do que nossa visão chega. Aí eu me confundo toda e penso: o que mais está por trás que eu não consigo enxergar? A minha intenção e da maioria aqui é facilitar e encontrar soluções.
    Infelizmente por trás de ideias deslumbrantes há o inverso causando coisa pior.
    Espero que possamos fazer a nossa parte e até onde conseguirmos.
    Depois dessa reflexão, eu fico com as mãos fora dos bolsos, pensativa.
    Um beijo a todos que se interessam pela situação.

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