Embora o mercado global de créditos de carbono ainda não tenha se recuperado dos efeitos da última crise financeira mundial, que reduziu à metade o preço pago em 2008 pelo equivalente a 1 tonelada de gases que contribuem para o aquecimento global, especialistas reunidos em São Paulo (SP), se disseram otimistas quanto ao crescimento futuro do setor.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc), o valor dos créditos já havia caído no ano passado no mundo inteiro, passando de 20 euros por tonelada de gases – equivalente a um crédito de carbono – para 10 euros a tonelada. De acordo com o especialista financeiro da Unidade de Financiamento de Carbono do Banco Mundial, Alexandre Kossoy, esse preço ainda se mantém.
Os profissionais que atuam no setor, no entanto, alegam que dificilmente o segmento voltará a crescer no ritmo que vinha alcançado nos últimos anos antes da crise. Para eles, indefinições governamentais e a necessidade de os países aprimorarem leis têm afastado potenciais investidores, sobretudo as instituições financeiras que, por precaução, preferem aguardar até 2012 para colocar dinheiro em projetos capazes de gerar os créditos por meio da redução da poluição. Daqui a 18 meses, quando se encerra o primeiro período de vigência do Protocolo de Quioto, muitas das atuais regras terão de ser revistas ou simplesmente deixarão de valer.
Em vigor desde 2005, o protocolo estabelece que, até 2012, os países desenvolvidos signatários do acordo terão que diminuir em ao menos 5,2% o volume de emissão de gases de efeito estufa registrado em 1990. Contudo, para não comprometer a economia desses países, o acordo prevê a possibilidade de os Estados que não conseguirem cumprir tal meta poder comprar no mercado internacional os créditos vendidos pelos países menos poluentes.
Para Kossoy, embora o cenário para o próximo ano e meio não seja dos mais otimistas, a tendência é que a procura por créditos volte a crescer após 2012. “A Europa, por exemplo, não conseguirá por si só reduzir seus níveis de emissão de gases poluentes. Portanto, terá que continuar comprando créditos e a questão então é saber o quanto o mercado poderá crescer”, disse Kossoy durante evento promovido na terça-feira(13) passada, em São Paulo (SP), pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Bolsa de Valores de São Paulo.
“Atualmente só há garantias até 2012, mas sou otimista em relação ao que virá depois. Hoje, não existe nenhuma indústria europeia que vá pensar em um projeto e não pense em créditos de carbonos. Mas há sim o risco de as empresas quebrarem ou deixarem o mercado devido à falta de garantias de que o mecanismo irá continuar”, disse o especialista, acrescentando que o tempo médio de aprovação de um projeto leva em média três anos e que, em 2009, o Brasil abocanhou apenas 3% dos US$ 2.7 bilhões negociados no ano passado.
Para Kedin Kilgore, representante do banco inglês Barclays Capital, a regulamentação internacional do mercado é fundamental para que os investidores se sintam seguros para investir em projetos limpos. “Não se pode esperar investimentos se não se sabe quais serão as regras no futuro. Mesmo sendo diferenciado, o mercado ambiental precisa ser padronizado e tratado como qualquer outro ou então haverá uma depreciação de projetos, já que as incertezas regulamentares tornam impossível fixar contratos de longo prazo”.
*Via AgênciaBrasil.








6 respostas para “Especialistas estão otimistas com mercado global de créditos de carbono”
Que bom =D
Que pena! É uma tristeza que MERCADO de poluição seja motivo de alegria para alguns (os banqueiros, principalmente) e nada significa em proteção efetiva à natureza. Criar mais um mercado com desgraça,sem questionar o modelo econômico e de produção em si. Vantagem para os Bancos, os investiDORES!!!! Para a Terra e a maioria dos seus habitantes apenas mais e mais EXPLORAÇÃO!!! Quando vamos vai ser proibido produzir o que polui? Quando vamos parar de consumir o que CONSOME com o Planeta, generoso e fonte de vida para todos os seres viventes que o habita? Toda a desgraça aos ecossistemas diretamente está relacionado ao que consumimos, em especial ao que COMEMOS. Por que não começamos MUDAR pelo prato? Será que todo mundo já está “desalienado”? Todo mundo já sabe, por exemplo, a relação entre COMER CARNE e a destruição da Mata Atlântica, do Cerrado, da Amazônia?
Entre COMER CARNE e poluição de rios? E que existe uma falácia oficial (acadêmica) que diz que o ser humano NECESSITA comer cadáveres (para adoecer e fornecer lucros NECESSÁRIOS a indústria dos remédios e da “saúde”)? Enquanto nos envenenam constantemente por meio da água e alimentos que ingerimos? Será que o “povo” é consciente (desalienado) da relação entre “Pecuária e desmatamento; pesca industrial e colapso de espécies oceânicas; aqüicultura e destruição de manguezais; suinocultura e poluição de lençóis freáticos; criação de animais para consumo humano e aquecimento global”? Não é interessante que “o povo” saiba a verdade! Nem necessário! É antilucrativo!!!!
A manchete desta matéria destoa do conteúdo de forma grosseira.
Por quê? A matéria trata justamente do otimismo, em especial para os próximos anos quando a mudança na etapa do Protocolo de Quioto fará com que os níveis de emissão tenham de se ajustar ao tratado. Existem sim ressalvas e pontos de melhoria a serem analisados e isso é importante considerar.
Abraços!
Olá, Paulo Barreto! Destoa para quem não percebe que TUDO realmente TUDO está interconectado, interligado. A vasta exploração e destruição da natureza está associado aos grandes lucros bancários em projetos que enriquecem e visam enriquecer somente alguns pouquíssimos e pautados no controle das informações e das verdades relativas a este mundo. A imposição da alienação e falta de consciência é essencial para que o monstro do “mal ao outro e não a mim” possam AINDA imperar.