B5 passa a ser obrigatório – mais biodiesel traz várias vantagens

A partir de 1º de janeiro de 2010 passou a ser obrigatória a mistura de 5% de biodiesel em todo óleo diesel consumido no Brasil, exceto óleo diesel marítimo. Para os atuais dados de mercado, a nova mistura deverá gerar economia de divisas da ordem de US$ 1,4 bilhão/ano devido à redução das importações de óleo diesel.

Segundo estudo realizado pela ANP, cada litro da nova mistura diminui em 3% a emissão de CO2, além de reduzir também a emissão de material particulado. Em novembro, foi realizado o primeiro leilão para atender à mistura de B5. Foram adquiridos 575 milhões de litros de biodiesel.

O biodiesel é considerado excelente “aditivo verde” para o óleo diesel com baixos teores de enxofre, como o diesel S50, já utilizado nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza e Recife e nas frotas cativas de ônibus dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro.

Dados dos fabricantes de auto-peças atestam que 2% de biodiesel adicionados ao diesel seriam suficientes para aumentar em cerca de 50% a lubricidade do combustível. Desde que a mistura B2 começou a ser utilizada, em janeiro de 2007, a ANP vem garantindo o abastecimento de biodiesel em todo o Brasil. Desde 2005, a Agência realizou 16 leilões para venda de biodiesel pelas unidades produtoras.

A ANP fiscaliza o cumprimento da mistura de duas formas: a primeira pela apresentação pela Petrobras/Refap (únicas compradoras de biodiesel nos leilões da ANP) de documento que atesta a aquisição de biodiesel pelas distribuidoras de combustíveis; a segunda, pelas análises feitas pela fiscalização da Agência nos postos revendedores de combustíveis.

A introdução do biodiesel na matriz energética brasileira é reconhecida internacionalmente como um caso de sucesso em matéria de uso de combustível renovável em larga escala.

Em 2009, a produção de biodiesel chegou a 1.291.800 bilhão de litros.

Fonte: ANP

5 respostas para “B5 passa a ser obrigatório – mais biodiesel traz várias vantagens”

  1. Infelizmente, o biodiesel não é essa maravilha que o governo quer que acreditemos. Ele tem como componente o sebo bovino e, assim, possui todos os problemas da pecuária, tanto os ambientais, como o extenso desmatamento provocado pela pecuária no Brasil, quanto os sociais, como o trabalho escravo.

    15,5% do biodiesel é produzido a partir de sebo bovino, e 2,9% é produzido de “outras matérias primas” [1, pág. 5], podendo ser sebo de frango [2],[3, pág. 13]. Sendo o diesel composto de 5% de biodiesel (o chamado B5), cabe a cada um pensar nas consequências éticas de se usar um combustível em que no mínimo 0,775% do mesmo é derivado de matança animal.

    Além disso, a meta é de se chegar a 20% de biodiesel na composição do diesel, o B20 [4]. Ou seja, de acordo com os dados atuais de [1], teríamos 3,1% de material derivado de tortura animal no diesel.

    O que é omitido dos consumidores é que o uso do sebo bovino transfere os problemas da pecuária ao biodiesel. Isso é engana-los “com o falso discurso da sustentabilidade” [5], pois a pecuária desmata uma extensa área da floresta amazônica [3, cap. 2, págs. 15-21] e “lidera ranking de casos de trabalho escravo” [3, cap. 3, págs. 22-26]. Esse aspecto é estudado no relatório [3] (resumido em [6]), que diz:

    “”Quando um caminhoneiro abastece seu veículo com a mistura de 4% de biodiesel ao óleo diesel, obrigatória por lei, ele é levado a acreditar que está contribuindo para mitigar os efeitos das chamadas mudanças climáticas globais, por meio de redução nas emissões de gases de efeito estufa. O que provavelmente o caminhoneiro não sabe é que parte significativa daquele do biodiesel (o percentual variou de 10,70% e 24,54% entre outubro de 2008 a junho de 2009) foi produzido com sebo bovino – e que, não por acaso, os municípios brasileiros com maiores taxas de desmatamento são também os que têm maior quantidade de bois e de casos fiscalizados de trabalho escravo”, adiciona outro trecho do documento.” [3, pág. 27]

    [5] também mostra exemplos de vários crimes ambientais e sociais realizados por usinas geradoras de biodiesel a partir de gordura animal:

    “A Biocapital, por exemplo, adquiriu sebo do Frigorífico Quatro Marcos de Juara (MT) em 2008. Arrendada recentemente pelo JBS Friboi, a unidade teve atividades embargadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais renováveis (Ibama) por operar sem a devida licença ambiental. Uma das campeãs de desmatamento da Amazônia segundo relação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) de 2008, Rosana Sorge Xavier faz parte da família que controla o Quatro Marcos e entrou, em julho deste ano, para a “lista suja” do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    Foram rastreados problemas na cadeia produtiva de outras cinco usinas que geram biodiesel de gordura animal: Brasbiodiesel, em Lins (SP); Biopar Parecis, em Nova Marilândia (MT); Amazon Bio, em Ji-Paraná (RO); Frigol, em Lençóis Paulistas (SP); e Ouro Verde, em Rolim de Moura (RO).” [5]

    Concluindo, você quer que os caminhões que trazem, entre outras coisas, as nossas frutas, verduras e legumes, sejam movidos à matança de animais, e em função de um falso discurso de sutentabilidade? O que podemos -e devemos- fazer em relação à isso?

    Alessander Botti Benevides,
    Engenheiro de Computação
    Seja vegano!
    Linux User # 450564
    Ubuntu User # 16176

    [1] Boletim Mensal Dos Combustíveis Renováveis nº 22 – Outubro de 2009, pode ser obtido em: http://www.mme.gov.br/spg/menu/publicacoes.html
    [2] ONG Repórter Brasil, http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1621
    [3] Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA), ONG Repórter Brasil, “O Brasil dos Agrocombustíveis – Gordura Animal, Dendê, Algodão, Pinhão-Manso, Girassol e Canola – 2009”, pode ser obtido em: http://www.reporterbrasil.org.br/documentos/o_brasil_dos_agrocombustiveis_v5.pdf
    [4] Canal Rural, http://www.clicrbs.com.br/canalrural/jsp/default.jspx?uf=2&id=2709281&action=noticias
    [5] ONG Repórter Brasil, http://www.reporterbrasil.com.br/pacto/noticias/view/189
    [6] ONG Repórter Brasil, “O Brasil dos Agrocombustíveis – Gordura Animal, Dendê, Algodão, Pinhão-Manso, Girassol e Canola – 2009 – Resumo executivo”, http://www.reporterbrasil.org.br/agrocombustiveis/relatorio.php

    • Interessante realmente. O sebo bovino é uma das opções para produção de biodiesel e por ter origem na pecuária a priori não parece tão agradável. De toda forma é importante notar que tal matéria prima seria gerada de toda forma, fosse para pecuária ou para outros fins, portanto não serão criados gados apenas com essa função, é apenas o reaproveitamento de um resíduo. Resta saber se é mais ou menos interessante que a realização de plantios (para origem vegetal).

      Abraços!

  2. Bem dito, Lourenço. Lendo o artigo, dá a impressão que se for aumentado o teor de biodiesel no diesel, vai aumentar a matança dos bovinos e frangos, o que é uma falácia. O sebo bovino é simplesmente um subproduto da indústria de carne e couro, se for adicionado mais ao biodiesel, é simplesmente mais subproduto que será melhor utilizado, não serão mortos mais animais para gerar o sebo necessário para o biodiesel, que alíás tem outras fontes além do sebo animal. Na realidade, o caminhoneiro está certo ao pensar que está contribuindo ao colocar diesel com biodiesel em seu caminhão, não só contribui com o ambiente mas com a economia.

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