Governo corta a já pífia verba de parques federais

O Governo Federal reduziu o orçamento do ICMBio (Instituto Chico Mendes), que toma conta dos parques nacionais, em 30%. O valor que era de R$ 557,8 milhões previstos para o ano foi reduzido para  R$ 388,7 milhões. Para comparação, em 2010 foram gastos R$ 461 milhões.

Com o corte, vários projetos e parques foram prejudicados. Talvez o mais importante dos projetos seja o Parques da Copa que, como o nome anuncia, revitalizaria parques perto das cidades-sede da Copa 2014 para gerar incentivo ao turismo ecológico.

Isso ainda acontece um ano antes do país sediar a conferência sobre desenvolvimento sustentável Rio +20. Para o presidente do ICMBio, Rômulo Mello, “o que a gente gasta, considerando a área, é uma gozação”. O gasto por hectare é de R$ 2, que pode subir até R$ 5 se for inclusa a folha de pagamento. Uma vergonha, já que em ordem de grandeza, até a Costa Rica gasta mais do que isso.

Se a comparação for com os EUA, que estão no furacão da crise, a coisa fica ainda mais ridícula: R$ 145 por hectare protegido é o que dispõe o NPS (National Park Service), algo semelhante ao nosso ICMBio. Só em 2011 foram US$ 3 bilhões de verbas federais “e a gente ainda reclama”, brinca o porta-voz do NPS, David Barna.

Parques da Amazônia recebem doações internacionais e conseguem amenizar o problema da falta de verba. Renato Dumont, diretor do parque dos Campos Amazônicos, diz que “No ano passado, 70% da verba veio do Arpa”. O sistema entrega doações para 64 unidades espalhadas pela floresta. E ainda há quem não goste do dinheiro internacional na região.

Para outros 12 parques, ainda existe outra forma de conseguir verba: A venda de ingressos. As duas unidades mais ricas do país, Parque da Tijuca (onde fica o Cristo Redentor) e o Parque Nacional de Brasília, conseguiram arrecadar R$ 13 milhões e R$ 1,1 milhão respectivamente. Mas nada é perfeito, já que eles arrecadam mais e gastam mais. Amauri Motta, diretor do Parque de Brasília, diz que a demanda no parque que administra é cinco ou seis vezes maior que a verba.

Carlos Eduardo Young, economista da UFRJ, diz que a situação é uma oportunidade perdida. Para ele e outros economistas, só em visitação as unidades de conservação poderiam gerar R$ 1,8 bilhão por ano. Sendo que, em 2009, só o ICMS ecológico (imposto que alguns Estados destinam a municípios com unidades de conservação) arrecadou R$ 402 milhões, enquanto no mesmo ano o ICMBio gastou R$ 322 milhões.

A importância de investir na área de turismo ambiental é enorme já que teremos eventos esportivos mundiais por pelo menos metade dessa década. É uma pena que o governo não pense assim.

 

Via Folha | Imagem via

3 respostas para “Governo corta a já pífia verba de parques federais”

  1. O Brasil anda se destacando na economia em meio a essa crise mundial, mas só acredito que o país apenas irá crescer, de verdade, se investir em sustentabilidade! E claro, como poderia esquecer do mais importante… Falta também político corrupto criar vergonha na cara!! Coisa que acho muito difícil…
    Mais 169,1 milhões para roubarem, parabéns!

  2. Serviços ecossitemicos são essenciais à sobrivivência da humanidade. A biodiversidade é essencial à nossa sobrevivência. E o Brasil continua retrocedendo e optando pelo desenvolvimento à qualquer custo!! Sim, chegaremos aos níveis de desenovlimentos dos países industrializados, mas infelizmente não etamos passando pela transição necessária da sustentabilidade. E o futuro será (já está sendo) de perdas e custos mais altos do que esses benefícios (apenas) econômicos (e imediatistas) que alguns setores (que comandam este país) estão alcançando.

  3. Pessoal da eco4planet, vcspoderiam falar do absurdo da construção do superporto de Vila Velha, no Espirito Santo, onde mudaram inclusive o PDN para poderem legalizar essa obra. O superporto terá capacidade para atender qqr navio de conteineres do mundo, e será localizado em uma área de preservação ambiental. O povo mais uma vez foi colocado de lado, sem um diálogo apropriado. As decisões foram de cima para baixo, e mais uma vez, o governo capixaba vai fazer uma obra absurda, colocando em risco todo o ecossistema da região. Deem uma olhada nisso. Grato.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *