
Comitê americano se reúne em Washington para discutir a legislação climática:
países deveriam reduzir em 40% as emissões de carbono.
Boicotes dos dois lados do Atlântico mostraram hoje como será difícil chegar a um acordo no mês que vem sobre o aquecimento global.
No encontro das Nações Unidas em Barcelona, na Espanha, as nações africanas usaram sua ausência temporária para protestar contra a relutância de países ricos em se comprometer com reduções substanciais de emissão de carbono. Em Washington, alguns republicanos conservadores boicotaram o início de um debate do comitê sobre um projeto para conter a emissão de gases que provocam o efeito estufa, temendo os custos que isso implicaria para a economia.
A chanceler alemã Angela Merkel, na tentativa de apoiar o projeto climático apresentado pelos democratas, disse que não há tempo a perder quando o assunto é evitar o aquecimento global.
As indiferentes respostas ao seu comentário, entretanto (bastante diferentes das ovações recebidas em outros encontros), apenas confirmaram a cética postura americana em relação a ações climáticas, que exigiriam o abandono dos combustíveis fósseis em prol das energias solar e eólica, por exemplo, além de carros menores e, segundo os republicanos, o inevitável aumento das despesas repassado para os consumidores.
Países africanos encerraram, na Espanha, o boicote a encontros das Nações Unidas, reiniciando o debate com reclamações de que as nações industrializadas estipularam metas insignificantes para a redução da emissão de gases do efeito estufa.
Os eventos paralelos indicam um dramático final no encontro em Copenhagem, em dezembro, durante o qual deve ser assinado um tratado de regulamentação das emissões de carbono, afetando economias no mundo todo.
A revolta africana foi principalmente simbólica, já que estava claro que os países industrializados não podem mudar suas posturas sem antes haver um consenso entre os governos.
Mas o panorama sugere que conservadores dos países ricos dominarão as negociações finais em Copenhagem e que o grupo de 50 nações africanas terá um importante papel.
Os africanos, apoiados por outros 70 países emergentes, incluindo a China, afirmam que o mundo industrializado está se esquivando do compromisso de diminuir a emissão de carbono, enquanto a seca e enchentes já estão causando mortes e devastação no continente mais prejudicado.
“Não acho possível chegarmos a um acordo da forma como estamos agora”, disse o presidente do grupo africano Kamel Djemouai, “as propostas que estão na mesa não são nada ambiciosas”.
A Casa Branca e líderes democratas do Congresso basicamente abandonaram a ideia de levar projetos climáticos para serem analisados pelo presidente americano Barack Obama antes do encontro em Copenhagem.
O secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon admitiu que existe a possibilidade de o tratado climático não ser concluído neste ano, acrescentando que alguns países podem recusar se comprometer com drásticos cortes de emissão.
Cientistas dizem que países industrializados deviam reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 25% a 40% até 2020, mas as metas anunciadas até agora são bem menores do que o mínimo sugerido.
A delegação africana argumenta que estudos recentes mostram que os perigos são ainda mais graves do que se imaginava alguns anos atrás, e que as nações industrializadas deveriam na verdade reduzir pelo menos em 40% as emissões.
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*Via Info.

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