Proposta do Código Florestal é um retrocesso, afirma Marina Silva

O relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) sobre o novo Código Florestal constitui um retrocesso em relação a legislação ambiental brasileira, disse a pré-candidata a Presidência da República, Marina Silva (PV). “Esse retrocesso se dá em dois níveis, no da legislação e no político que desqualifica o esforço feito durante esses 20 anos”.

Segunda Marina, proposta do relator revoga o primeiro artigo do código e faz com que as florestas deixem de ser um bem da sociedade. Além disso, isenta os proprietários de terra da obrigação de proteger as florestas. “A importância do Código Florestal é de conhecimento de todos. Ela representa uma das poucas leis brasileiras que antecipou a necessidade de fazer a conservação das florestas”.

Marina criticou o fato de o relatório ter sido divulgado no período eleitoral. “Fazer uma discussão como essa em momento eleitoral deve ser no mínimo questionável, porque o objetivo, com certeza, não deve ser pensado como dos melhores”. Para a pré-candidata, essa é uma questão suprapartidária, que deve ser de interesse de todos os parlamentares.

Ela reiterou a necessidade da criação de audiências públicas para a obtenção de uma política agrícola que integre novos valores. “Ao que parece, o relator já tinha uma opinião fechada e ouviu protocolarmente as entidades da sociedade civil. Ele configurou o seu posicionamento a partir daqueles que tem uma visão totalmente desatualizada da questão ambiental”.

A apresentação do relatório de Aldo Rebelo sobre mudanças no Código Florestal, foi feita na quarta-feira(9) na comissão especial da Câmara dos Deputados que trata do tema. Entre as mudanças propostas pelo relator estão a atribuição de mais autonomia aos estados para legislar sobre meio ambiente e a retirada da obrigatoriedade de reserva legal (fração destinada à preservação ambiental) em pequenas propriedades.

*Via AgênciaBrasil.

5 respostas para “Proposta do Código Florestal é um retrocesso, afirma Marina Silva”

  1. Mais um ataque dos ruralistas às nossas florestas.

    Ênfase na "política agrícola que integre novos valores", que a Marina menciona. É peciso investir pesado na agricultura familiar e orgânica, que tem potencial para promover justiça social, garantir a preservação ambiental, e produzir alimentos muito mais saudáveis. Mas o agribusiness ainda impera, destruindo a natureza e beneficiando um pequeno grupo de megaempresários… Até quando?

  2. Penso que em se tratando de propriedades particulares ao invés do Código Florestal, deveríamos ter o Código Rural, que seriam leis para a conservação das águas e do solo.
    Conservação de Florestas é um dever do estado, como ocorre no resto do mundo, uma floresta é um bem e um beneficio a toda população e como tal, esta deve arcar com o ônus de sua conservação.
    Quando a lei delimita uma determinada largura para as APPs, esta não leva em conta o solo acima, que para conservação das águas é tão ou mais importante que as matas ciliares, em um solo erodido, as águas que nele escorrem atravessam com facilidade as APPs, assoreando rios e tornando o solo agriculturável estéreo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *