
Cerca de cinco milhões de paulistanos não têm acesso ao programa municipal sobre coleta de lixo/Foto: icebox79deluxe
Um dos grandes problemas referentes a São Paulo, a maior cidade do país, diz respeito a reciclagem de lixo. Depois de 20 anos de criado, o sistema de coleta seletiva da Prefeitura recicla 3.135 toneladas das 293,9 mil toneladas coletadas mensalmente pelos consórcios Ecourbis e Loga Ambiental – menos de 1% do lixo da capital.
Segundo o portal EcoDesenvolvimento, uma ordem judicial expedida em primeira instância pelo juiz Luis Fernando Camargo de Barros Vidal, da 3ª Vara da Fazenda Pública, obriga a Prefeitura a implantar a coleta seletiva de lixo em toda a cidade, além de fornecer todo apoio jurídico, administrativo e operacional para a formação de cooperativas de catadores, instalar centrais de triagem de lixo regionalizadas e contratar as próprias cooperativas para fazer o serviço de coleta e reciclagem.
Atualmente, São Paulo consegue reciclar uma média de 280 gramas de lixo por habitante, o que significa que o paulistano manda para a reciclagem um peso equivalente a uma garrafa PET a cada seis dias.
Já a população de Porto Alegre separa para a reciclagem 1,3 quilo por mês (cada habitante), valor quase cinco vezes maior do que o índice de São Paulo. Na capital da Súecia, Estocolmo, onde 25% de todo o lixo é reciclado, cada cidadão recicla 12,4 quilos mensais – 44 vezes a mais do que o paulistano.
“Faltam incentivo e investimento na organização das cooperativas e na capacitação de catadores para que o programa seja ampliado. Nessas duas décadas, a coleta seletiva ainda é algo a que só a classe média paulistana tem acesso. Os municípios precisam encarar a reciclagem como uma política pública fundamental para reduzir os riscos de enchentes e o espaço dos aterros”, afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo o advogado Fabio Pierdomenico, professor de Direito Ambiental e diretor da Limpurb entre 2002 e 2004.
Investimentos
Segundo reportagem do Estadão, nos últimos três anos, os investimentos em coleta seletiva se mantiveram proporcionalmente estagnados. No primeiro ano como prefeito, em 2006, Gilberto Kassab (DEM) aplicou 1,21% da verba empenhada para a coleta do lixo em reciclagem; em 2009 esse índice foi de 1,14%.
O governo municipal argumenta estar acelerando os investimentos neste ano e aponta que são coletadas diariamente 120 toneladas de lixo reciclável na cidade, o que corresponde a 7% do lixo domiciliar que pode ser triado atualmente. O número corresponde a 0,6% de todo o lixo doméstico produzido no município.
A limitação do programa também preocupa, uma vez que ele atinge somente 6 milhões dos 11 milhões de habitantes da metrópole. “Se o índice (de investimentos) é baixo hoje, imagina no início da gestão. Tem crescido, aumentado, e vai continuar aumentando. Vamos nos esforçar para continuar investindo”, prometeu Kassab.
*Via EcoDesenvolvimento.

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