
Após quatro anos de pesquisa conjunta com a Universidade Federal de São Carlos, a Ford do Brasil requereu a patente mundial de uma tecnologia que utiliza sisal para a confecção de peças de polipropileno usadas em automóveis. Trata-se de uma fibra têxtil extraída das folhas do agave, uma planta originária do México, cultivada no Brasil desde o início do século XX. O “plástico ecológico” promete deixar os carros mais leves e econômicos.
Hoje o país é o maior produtor mundial de sisal. Segundo a Ford, Europa e EUA já demonstraram interesse na tecnologia. “É um projeto 100% brasileiro e inédito, que abre possibilidades de licenciamento e exportação de peças“, explica Ricardo Muneratto, gerente de engenharia avançada da Ford.
Para chegar a essa matéria-prima, os pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Produtos da marca fizeram testes com diversas fibras, mas nenhuma mostrou as mesmas resistência e maleabilidade. A receita para fazer o plástico ecológico é uma mistura de até 50% de polipropileno reciclado (que pode vir de garrafas PET), 20% de polipropileno virgem (derivado do petróleo) e 30% de sisal, em substituição às cargas minerais utilizadas hoje, em especial o talco, que tem baixa reciclabilidade. “Essa proporção é alterada de acordo com a aplicação”, explica Muneratto.
A Ford requereu patente mundial (ainda em homologação) de todas as combinações possíveis para uso em peças injetadas.
No Salão do Automóvel de 2008, a Ford apresentou dois conceitos de Ka, chamados Beauty e The Beast,que utilizavam o novo material, no console central, na tampa do porta-malas, no acabamento interno do teto, na capa do volante e nos puxadores de porta.
A marca pretende, até 2010, iniciar a aplicação comercial das peças em alguns de seus modelos. Estima-se que se 30% dos componentes plásticos dos carros forem substituídos haverá uma redução de peso na ordem de 10%, o que significa, inclusive, economia de combustível. Além disso, pelas características do material, há uma menor utilização de energia na produção das peças, o que diminui ainda mais o impacto ambiental do produto.
No momento, o maior entrave para o uso do plástico ecológico está na cadeia produtiva do sisal. É que a Ford não compra matéria-prima de nenhum fornecedor que se utilize de trabalho infantil ou que ofereça risco à saúde do trabalhador e, como a colheita e o beneficiamento da planta são frutos da agricultura familiar, os sisaleiros precisaram se organizar e tornar sua produção mais segura e também mais sustentável. “A Ford só permitirá o uso comercial do sisal para esse fim quando existir uma estrutura segura de trabalho”, adverte Muneratto.
A Associação do Desenvolvimento Sustentável e Solidário da região Sisaleira (Apaeb) já se manifestou favorável às mudanças. “Essa já era nossa preocupação mesmo antes da Ford. Há 28 anos, pensamos nisso. Aqui na associação, já conseguimos praticamente erradicar o trabalho infantil e estamos testando, em parceria com o governo, uma máquina totalmente sem riscos que será dada ao agricultor em substituição àquela que ele usa hoje”, afirma Nelilton Ezequias de Oliveira, presidente da entidade. “Além disso, propusemos à Ford que os próprios sisaleiros façam uma préindustrialização do sisal, misturando a fibra com o polipropileno e fazendo a entrega em placas”, conta Oliveira. “Isso, além de facilitar o transporte, geraria mais renda para o sisaleiro”, completa.
Segundo pesquisas, se 20% do acabamento dos carros utilizasse a fibra natural, 45% de toda a produção nacional seria absorvida pela indústria automobilística, obrigando os sisaleiros a aumentarem a oferta, criando um ciclo virtuoso de aumento de renda e sustentabilidade. “Temos na Bahia 140 mil hectares de plantação. Com a demanda da Ford, que seria de cerca de 60 kg por carro, precisaríamos de pelo menos 300 mil hectares. A Ford já tem propostas com o governo do Estado para incentivar esse aumento”, conta Oliveira. Uma iniciativa interessante para a montadora, para o consumidor e para o semi-árido nordestino.
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Este é o primeiro post de Lorena Lacerda, uma das novas colaboradoras do blog eco4planet. Lorena é Bióloga e Mestre em Sistemas Aquáticos Tropicais. Seja bem-vinda!
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Fonte: Instituto de engenharia – SP








15 respostas para “Ford e UFSCar desenvolvem plástico ecológico a base de sisal #PdL”
Ótima reportagem!
Acho curiosa essa tendência moderna de se ser absolutamente contra o trabalho infantil. Muitos precisam ou querem trabalhar desde cedo, e nem por isso deixam de ser crianças. Eu mesmo comecei a ganhar meus primeiros trocados aos 9 (nove) anos de idade, e não acho que tenha sido prejudicado por isso, MUITO PELO CONTRÁRIO.
Diferente é a EXPLORAÇÃO do trabalho, seja ele qual for, mas principalmente do infantil. Essa atitude terminante da Ford peca por não considerar que cada caso é um caso.
Trabalho não mata, o que mata é tempo ocioso sem supervisão, que pode levar a “molecagens”, das mais leves (como brincadeiras de mal gosto), às mais pesadas, como uso de entorpecentes ou cousas ainda piores.
Como se dizia antigamente: “O ÓCIO É A OFICINA DO DIABO”
Eu já acho o contrário, apoio 100% a atitude da Ford em relação ao trabalho infantil.
As crianças precisão aproveitar sua infância ao máximo.
Em contra partida, ao invés das crianças ficarem com tempo ocioso sem supervisão (como você apontou), deveriam haver mais políticas de criação de ginásios preparados para prestar serviços de lazer a essas crianças…
É velho, mas vale a pena usar: ”Lugar de criança é na escola” Ou no ginásio!(RSRS)
É, acho que vc tem razão.
Ocorre que não adianta viver fantasias. A nossa realidade não é a Sueca. NÃO TEMOS estrutura e, até a termos no país inteiro, não adianta criarmos leis lindas que não podem ser cumpridas a contento. Briguemos antes pelas condições boas para ocuparmos positivamente as crianças e só depois poderemos exigir que elas não trabalhem.
Estamos cheios de leis feitas com ótimas intenções mas que mais nos prejudicam que nos auxiliam. Quer mais um absurdo? A aprovação automática na escola. Na Escandinávia é assim e funciona, mas aqui tem sido um fiasco. Lá, um professor (muito bem pago) leciona para poucos e tem como acompanhá-los diuturnamente. É essa a nossa realidade? Os Estados que adotaram tal regra amargam pessoas terminando o ensino fundamental que não conseguem ler! Primeiro vamos dar condições às escolas/docentes de fazerem um excelente trabalho, depois cobremos deles os resultados e só após todas essas etapas é que podemos pensar em imitar os escandinavos.
Este último é um caso análogo ao da proibição sumária do trabalho de nossos infantes. Só “dançamos” quando apenas imitamos o que dá certo alhures sem nos “ligarmos” nas NOSSA realidade.
Seja certo ou não, trabalho infantil é crime.
E esse É um grande problema. Leis que são feitas sem levar em conta a realidade local!
LAMENTÁVEL!
É preciso uma atenção especial a questão do produtor de sisal. Para que não se repita o q aconteceu (e ainda acontece) com outros produtos frutos do extrativismo e da agricultura familiar q se tornam rapidamente alvo do interesse de fortes industrias criando um sistema de superexploração ou a formação de carteis. Onde o lucro fica nas mãos de grande empresários e atravessadores. Mas se houver um trabalho conjunto entre produtores, governo e indústria com o objetivo de realmente fazer mudança, essa pode ser uma prova de q o Brasil ainda tem muito a oferecer ao mundo, mas principamente aos brasileiros. Isso me leva a outra questão: é um produto 100% nacional, mas a patente mundial foi requerida pela Ford (empresa norteamericana). Esse é um ponto onde o governo brasileiro deveria ser mais atuante. Muitas de nossas riquezas estão sendo roubadas por empresas estrageiras.
eu achei muito bom o que se pode gerar a partir dessa idéia.. mas no brasil já existe problema com desmatamento para aumentar a area de plantio.. será que essa necessidade de mais hectares não aumentaria esse problema??
Com o planejamento e manejo correto (lembrando que nada obriga que seja apenas no Brasil) certamente é mais adequado que a exploração de petróleo =D
Abraços!
Caros comentaristas,
estas imposições são mundiais. Hoje a Ford, e qualquer outra grande empresa está comprometida com o ambiente-inteiro, com o combate ao trabalho infantil, idem trabalho escravo, pirataria, e coisas deste tipo. Qualquer fornecedor para ter um contrato com a Vale ou com a Petrobrás, assina um contrato nestes termos.
Mauro, de fato não dissemos que a Ford está fazendo algo “além do esperado” ao se preocupar com trabalho infantil, todas as grandes empresas tem atenção a isso especialmente em países onde há legislação para tanto (há relatos de que em países asiáticos a coisa é diferente pela frouxidão das leis, mas, justiça rápida ou não, leis existem no Brasil).
Abraços!
Muitas industrias do mundo inteiro já devem ter um programa de substituição do plástico que não é degradavel. Mas o maior problema, na minha opinião, é que entraves financeiros, burocráticos, de legislação, e porque não dizer,elas não estão nem aí para a vida futura do Planeta. É doloroso , mas é a realidade nua e crua.
este debate esta um tanto anacronico. hoje esta quase extinto o trabalho infantil no sisal. por conta do pet e fiscalizaçoes do ministerio do trabalho. quanto ao maquinário antiquado tecnicamente isto já foi resolvido, faz tempo.
Agora conscegimos dá mais um passo importatissimo.
se tratando de fibras de sisal,que foi O SELO ISO 9001/2008 em gestão de qualidade no beneficiamento das fibras.
Sendo a APAEB A PRIMEIRA A CONSCEGUIR ESTA CERTIFICAÇÃO NA REGIÃO SISALEIRA
NELILTON