
Os carros híbridos são realmente interessantes, mas o caminho certamente termina nos elétricos. Eles são apontados como o futuro do transporte, mas esse futuro já existe, ao menos “lá fora” e por um preço premium, então vamos dar uma olhada em como chegamos até aqui e como eles se saem frente à concorrência.

Usar a eletricidade é tão antigo quanto dirigir…
O carro moderno data de 1879 e nas primeiras décadas o motor a combustão dividiu espaço com os elétricos que já apareciam como uma opção mais confortável (os motores a combustão chacoalhavam o carro), fácil de dirigir (por não exigir troca de marchas), silenciosa e sem a desagradável fumaça (a questão era o cheiro, ninguém parecia se preocupar com poluição).
… mas os combustíveis logo passaram por cima …
Ter que recarregar as baterias por longas horas e poder percorrer apenas distâncias curtas para cada carga são um problema desde aquela época. De outro lado a estrutura de distribuição da gasolina se ampliava e, graças a linha de montagem, Henry Ford reduziria o preço dos veículos a combustão para metade dos equivalentes elétricos. A vitória dos fumacentos foi esmagadora e os elétricos entraram em coma profundo.
… até faltar gasolina e a preocupação ambiental emergir …
As crises energéticas dos anos 1970 e 80 somadas à crescente atenção ao problema da poluição trouxeram os bólidos carregados por baterias de volta à vida. Em 1993 a Chrysler lançou o TEVan de forma experimental, seguida por modelos da Ford, GM, Chevrolet, Honda, Nissan e Toyota.

Apesar da autonomia e tempo de recarga não serem muito inferiores aos dos elétricos atuais, a potência de motor reduzida, preços elevados, desconfiança por parte dos compradores, e claro, um jogo de interesses daqueles que vivem do petróleo rolando nos bastidores, fizeram os elétricos serem encostados mais uma vez.
… e finalmente chegarem com força …
Mas a preocupação ambiental só veio crescendo desde então e, somada a crise financeira do final dos anos 2000, fez com que os elétricos chegassem com mais força e desta vez para ficar, agora equipados com baterias de íons de lítio (menores e mais leves mas com maior capacidade e vida útil), recarga em 4 horas nas tomadas de 240V ou recarga rápida em estações especiais que preenchem 80% com apenas 30 minutos, absolutamente zero emissão de gases poluentes, reaproveitamento da energia da frenagem para recarregar as baterias e, principalmente, subsídios.
… tendo uma mãozinha do governo …
Como toda tecnologia nova, carros elétricos são mais caros (culpe as baterias), mas um dos papéis do governo é justamente pensar na coletividade e no futuro, por isso em diversos países (o que não inclui o Brasil, por mais estranho que pareça), existem subsídios para quem comprar esses veículos. Nos EUA o incentivo chega a $7.500, ou seja, o Ford Focus Electric, por exemplo, cai de $39.995 para $32.495, nada mal.

Aliás, por lá as opções são várias. Só pra ficar entre os mais populares temos (em preços já subsidiados) o Mitsubishi i MiEV a partir de $22.475, o Nissan Leaf por $28.550 e o Honda Fit EV por $389/mês por 3 anos (leasing, não existe opção de compra).
… que ainda não é suficiente …
São bons preços, mas não se engane ao convertê-los para reais – todos os carros por lá são mais baratos. Para comparação, considere que o Ford Fusion tradicional custa entre $16.200 e $24.000, ou seja, o elétrico é no mínimo 35% mais caro. Optar por um se torna uma questão de preocupação ambiental, conforto ou cálculo a longo prazo.
… a menos que você faça as contas.
Além de exigir menos manutenção, vários estados/cidades dos EUA oferecem créditos adicionais em impostos, vagas ou faixas de tráfego exclusivas para elétricos e abastecê-los pode ser 3 vezes mais barato do que abastecer com gasolina (isso nos EUA, aqui a diferença chegar a 10 vezes).
Pelos cálculos da Mitsubishi, para andar 16.000 Km em um ano (cerca de 44Km/dia) gasta-se $541 em eletricidade contra $1.980 em gasolina – são mais de $1.400 economizados anualmente, nada mal.
E o Brasil, como fica nessa história? Isso e muito mais nas nas próximas matérias – fique de olho!
O eco4planet viajou para Detroit à convite da Ford e ficou surpreso com a simpatia das pessoas por todos os lugares por onde passou. E nem estamos falando de uma “cidade turística”.








6 respostas para “Carros elétricos: você (quase) pode comprar um agora mesmo #FordNAIAS”
O Brasil?
O Brasil fica nas mãos dos políticos ligeiros que temos. Infelizmente isso só vai ser uma realidade para nós em 2040+.
É por isso que eu adoro a área ambiental, somos tão abrangentes, pena o governo não incentivar.
Mas é isso, parabéns pela matéria. =]
As baterias de íon de lítio estão apresentando problemas no Boing 787. Os mesmos problemas não aparecerão nos carros? O lítio não é um metal escasso na natureza?
Marcos, celulares e notebooks, por exemplo, usam baterias de íons de lítio pois são consideradas as mais eficientes e seguras atualmente. Os problemas enfrentados no Boeing ainda estão sendo investigados, podendo ser no carregador ou outro fator que certamente não está diretamente ligado ao tipo de bateria. Mas de fato, o lítio é considerado um material escasso, por isso a reciclagem é tão importante e estudos de novos materiais estão sempre sendo desenvolvidos.
O governo está mais preocupado com os poços de petróleo, incluindo o pré sal.
Com o avanço da tecnologia da energia limpa, o governo será forçado a evoluir.
Falta nos sociedade precionarmos nossos governantes para que politicas de carros eletricos sejam prioridade. Bate de frente com a PETROBRAS vai ser dificil mas nao impossivel, basta a sociedade se mobilizar.
Alguém sabe como funcionam projetos de lei com iniciativa popular? Aqueles com abaixo assinados. Pode-se iniciar um projeto de lei deste tipo garantindo isenções de impostos e subsídios para veículos elétricos.
Também pode-se iniciar um projeto com isenção de ipi para placas solares de geração de energia eletrica…
Se alguém souber como funciona é só fazer o prejeto que eu assino e colho assinaturas…